Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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Textos

 

 

- Título: “ALMA”

- Roteiro e direção: Octavio Caruso

- Direção de fotografia e edição: Gui Monteiro

- Direção de arte: Teresa Cristina de Oliveira

- Narração: Sérgio Barros

- Ano de lançamento: 2026

- Duração: 6 minutos

 

 

Tive a inestimável honra de assistir em primeira mão ao oitavo curta-metragem dirigido por Octavio Caruso, o que significou uma experiência inesquecível para mim. Intitulado "ALMA", o filme nasceu de uma visita à residência do violinista Virgílio Arraes, que viria a ser o homenageado da produção.

 

Como discorre o próprio Octavio em seu site, Devo tudo ao cinema: "A proposta do curta não é ser um documentário, ele é uma viagem sensorial ficcional conduzida pela consciência do protagonista. Como roteirista, utilizo o tema como ponte para filosofar sobre a luta de alguém que, no crepúsculo de sua existência e inserido nesta realidade nacional tétrica, busca manter viva a chama da inspiração."

 

Dentre todos os seus filmes a que já assisti, creio que este tenha sido aquele de que mais gostei. Achei absolutamente sublime! A música, o texto, a imagem... tudo é irretocável. Trata-se de uma instigante e reflexiva imersão que mexe com todos os sentidos.

 

Tudo na obra remete ao que antes significava luxo e agora indica desvalorização: a decoração do ambiente, a paisagem do Rio de Janeiro, a narração de Sérgio Barros (baterista da banda de rock dos anos 60 The Sunshines), além da própria figura de Virgílio Arraes. Todos esses elementos eram prestigiados no passado e hoje não recebem a mesma estima, a devida importância.

 

Adorei também a intertextualidade com Ernest Hemingway, pois foi perspicaz, coesa com o restante do discurso e coerente com a proposta. Afinal, na atualidade, o autor se insere nesse mesmo estigma de antiquado, de obsoleto.

 

Não sei se essa seria uma nova linha que Caruso pensa em adotar, mas gostei muito do fato de ser tão elegante, sobretudo nas duras críticas, como ele já se habituou a fazer.

 

Além disso, achei a obra incrivelmente poética. Só não ressaltei esse ponto antes porque os seus filmes sempre o são, principalmente na narrativa nada óbvia, que depende muito do envolvimento do espectador.

 

Enfim, essa realização pareceu-me mais madura e lapidada, representativa de um artista que se posiciona corajosamente diante de um cenário a cada dia mais incômodo e que aprendeu a crescer em virtude dos golpes que a realidade vem lhe ofertando.

 

 

Guilherme Mossini Mendel
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 26/09/2026
Alterado em 27/09/2026
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