• Olá, gostaria de começar a entrevista pedindo para você se apresentar e nos contar um pouco sobre você.
Nasci em 5 de julho de 1987, na cidade de Erechim, Rio Grande do Sul. Sou formado em Letras pela Universidade Regional Integrada (Campus de Erechim) desde 2009 e concluí o mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade de Passo Fundo em 2012. Como professor de Língua Portuguesa, busco conciliar a prática docente com a produção literária.
Sou autor de oito livros de poesia e integro mais de dez coletâneas publicadas em parceria com outros escritores. De modo geral, procuro desenvolver uma escrita marcada pela atenção à linguagem e pelo retrato sensível da experiência humana.
• Qual é a parte mais fácil desse processo de escrita para você?
Observando todo o contexto, não sei se há algum aspecto propriamente "fácil" na escrita. Mas, quando a inspiração surge — como um vulcão prestes a entrar em erupção —, tudo fica mais tranquilo. Criar, de maneira geral, seja o texto ou a obra, é a parte mais divertida; é o que move o escritor. Até mesmo a lapidação de um texto, quando vamos corrigindo e ajustando pequenos trechos para aperfeiçoar o conjunto (o que, muito provavelmente, é a parte mais estafante para a maioria), acaba sendo um quebra-cabeças necessário e estimulante.
• Qual é a parte mais difícil desse processo de escrita para você?
A parte mais difícil é quando o sonho se torna realidade, isto é, quando me deparo com as caixas de livros que recebi da gráfica ou da editora e, após um rápido namoro com os exemplares, me pergunto: “O que é que eu faço com isso?”.
Acredito que os processos de divulgação e comercialização sejam os mais desafiadores, porque boa parte dos autores, assim como eu, não tem muita habilidade para isso. É aí que entra o auxílio de profissionais brilhantes, como a Malu, que, por meio do seu lindo trabalho na divulgação, ajudam os escritores a lidar com essa realidade que nos tira o sono.
• Qual é o tema central do seu livro – Alienação?
Como o próprio título sugere, neste meu primeiro livro temático, o assunto principal é a alienação. Contudo, abordo de forma mais abrangente como ela se dá nos diferentes aspectos da vida humana (pessoal, profissional, amoroso), tanto no âmbito individual quanto no coletivo. Além disso, trago um novo foco para o termo, no que tange ao nosso estranhamento em relação ao outro.
• O que mais te inspirou na hora de escrever esse livro?
Na verdade, cada poema foi surgindo de maneira isolada, sem que houvesse, de início, a proposta de uma unidade temática. Posteriormente, ao refletir a respeito do comportamento atual da humanidade, percebi que os textos que eu estava escrevendo tinham esse assunto em comum. Sendo assim, fiz a experiência de organizá-los sob três subtítulos diferentes, construindo uma espécie de narrativa, e a coesão surpreendeu até a mim.
• O que espera que os leitores tirem da leitura do seu livro?
Creio que a grande função da poesia seja sensibilizar as pessoas. Num mundo tão frio e cruel como temos testemunhado (e/ou construído) ultimamente, eu gostaria, humildemente, de trazer um pouco mais de humanidade à nossa sociedade, que se mostra tão individualista e inconsequente. Mais do que isso, pretendo que, ao lerem a minha obra, os indivíduos reflitam sobre as suas próprias atitudes e sobre a maneira como estão contribuindo (ou não) para o bem comum, ajudando a construir, de grão em grão, um planeta mais habitável.
• Como você lida com as críticas/feedbacks a respeito do seu trabalho?
Ao longo dos meus quase vinte anos de carreira literária, já recebi incentivo de escritores que respeito muito, mas também fui atingido por críticas destrutivas de algumas poucas pessoas. Como tenho certa insegurança em relação à minha capacidade, valorizo demais quando alguém elogia o meu trabalho — embora esse combustível, por vezes, seque, dadas as dificuldades do ramo. Por outro lado, nas ocasiões em que tecem comentários negativos sobre o que faço, confesso que chego a me arrepender de cada linha que ousei escrever até aquele momento.
• Quais autores te inspiram?
Machado de Assis, William Shakespeare, Jane Austen, Mario Quintana, Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos, Pablo Neruda... Os três primeiros, por terem feito análises tão precisas a respeito da natureza humana. Os demais, pela influência direta que têm na minha escrita e pelo tanto que gosto das suas contribuições à poesia.
(Entrevista originalmente publicada no perfil de bookstagram @bibliotecadamalu.)