Por meio da poesia, o autor constrói nessa obra uma reflexão sensível e, ao mesmo tempo, incômoda sobre o distanciamento entre as pessoas, a perda da empatia e a maneira como estamos nos relacionando com o outro e com o mundo ao nosso redor. Sua poesia tem emoção, mas não perde o caráter realista. São textos que conversam com situações que reconhecemos, sentimentos que já experimentamos e problemas que, muitas vezes, estão tão presentes em nossa rotina que acabamos deixando de enxergar.
Um dos pontos que mais gostei na obra é justamente essa capacidade de provocar reflexão sem tornar a leitura pesada. A linguagem é objetiva, fluida e muito emocional, fazendo com que os poemas sejam fáceis de acompanhar, mas nem sempre fáceis de esquecer. Mesmo sendo um livro curto, a sensação ao chegar à última página é de que existe muito mais ali do que o número de páginas sugere.
Cada poema parece carregar uma provocação, nos convidando a olhar novamente para aquilo que consideramos normal. A alienação, a falta de empatia, as relações humanas e a forma como nos posicionamos diante da realidade ganham espaço em versos que, apesar de simples em sua construção, podem permanecer na cabeça por bastante tempo. É uma leitura rápida, mas não superficial. Você termina o livro e ainda assim, sente vontade de voltar logo para essas páginas.
"Alienação" é uma obra que não precisa de muitas páginas para deixar uma impressão duradoura. Guilherme utiliza a poesia não apenas para escrever sobre a sociedade, mas para nos fazer enxergar dentro dela, e essa é uma das características que mais me marcaram durante a leitura.
(Resenha publicada originalmente no perfil de bookstagram @bibliotecadamalu.)