O poeta
é um atleta
da língua:
mira nos receptáculos
da artística criação;
mergulha nos cálculos
métricos da escansão;
salta os obstáculos
da falta de inspiração;
e desvia dos tentáculos
da falta de recepção.
O poeta
é um atleta
da língua:
corre, corre
no campo das rimas;
pula, pula
as vazias estrofes;
lança, lança
mão do ritmo;
corta, corta —
e a palavra escolhe,
e o excesso encolhe,
e o verbo faz nobre.