BIOGRAFIA: Luiza Alves é psicóloga clínica (CRP 07/32232), formada pela Faculdade IENH em 2019, escritora e musicista de Novo Hamburgo (RS). Em 2022, realizou o curso de Formação de Escritores pela Editora Metamorfose de Porto Alegre. Apaixonada por escrita desde a adolescência, une arte e psicologia ao seu cotidiano, sempre acompanhada de livros, gatos, fotografia e música. É também autora da obra Ensaios Criativos (2025), seu livro de estreia pela editora Fomento Literário.
Guilherme Mossini Mendel: Quem é Luiza Alves? Como você se apresenta e se define para o público?
Luiza Alves: Bom, sou uma pessoa criativa, que gosta de projetar ideias e que se dedica muito ao que faz! Acredito muito naquilo que faço, pois são coisas que me edificam enquanto pessoa e profissional. Acho que posso me definir como alguém que realiza aquilo que projeta; que tira do papel os sonhos, que torna tudo possível.
GMM: Quando e com quem você descobriu a arte, e em que momento percebeu que era uma artista?
LA: Descobri a arte ainda muito jovem. Não sei dizer exatamente quando, mas eu estava no ensino fundamental. Eu gostava de brincar criando personagens, como no teatro ou num filme, e pedia para a professora para eu apresentar esse personagem aos colegas, no final da aula (como num monólogo). Era divertido, eles riam, e isso me fez acreditar que eu era boa naquilo… Também, aos 9 anos de idade, comecei a fazer aula de violão popular, mas só com 13 anos, quando me dediquei de verdade às aulas, entendi que era aquilo que eu gostaria de fazer. Hoje, tenho minhas composições, minhas gravações, e voltei ao teatro depois de muito tempo (pois eu havia iniciado numa oficina de teatro aos 14 anos e fiquei até os 17…). Também, aos 12 anos, lembro que comecei a escrever minhas próprias narrativas num caderno. Escrevi algumas histórias baseadas em comédias românticas e suspenses (uma influência bastante significativa do cinema em minha vida). A primeira se chamava “O Encantado” (uma comédia romântica atrapalhada) e a segunda “O Foco” (um suspense de perseguição brutal e angustiante).
GMM: Quais são os músicos e escritores que mais lhe marcaram? Há algum que você considera um mestre ou referência constante?
LA: Na parte musical, quando mais jovem, quem me marcou foi a cantora e compositora britânica KT Tunstall, multi-instrumentista, em suas performances incríveis com um violão e pedais de efeito que criavam praticamente “uma banda de uma mulher só”! Aprendi um jeito mais autêntico de tocar violão assistindo às apresentações dela. Depois disso, foram surgindo outros nomes, como a saudosa Rita Lee, pela forma de interpretar as canções, a diversão no palco e excentricidade… Atualmente, tenho escutado muito a Charli XCX (britânica também), uma artista multifacetada, na minha opinião. Charli é cantora, produtora musical, DJ, atriz… ela conversa com o público pra compor seu trabalho autoral, além de ser, em primeiro lugar, uma musicista experimental antes de ser uma pop star. Gosto do jeito que ela faz música. Acho que me sinto muito próxima a ela em relação à forma como ela faz sua arte. É como se ela não tivesse medo de ser autêntica no que faz… E, em relação à literatura, não existe exatamente um autor ou autora que me encante. Lembro que o primeiro livro que li no ensino médio, que me tocou de verdade, foi o romance “O Ponto Cego”, da escritora gaúcha Lya Luft. Depois, descobri o romance “O Jovem Törless”, do escritor austríaco Robert Musil. Ambos carregam cenas e uma profundidade que me incomodam até hoje, mas no bom sentido, pois creio que, quando um livro nos choca, ele atinge seu objetivo. Ou seja, ele chega onde deveria chegar. Já li outras obras da Lya Luft e gosto muito da forma como ela escrevia, mais sucinta, direta ao ponto, parágrafos mais curtos, apesar de eu achar uma narrativa muito introspectiva…
GMM: Em que circunstâncias a leitura entrou na sua vida e qual a importância dela para você?
LA: Hoje em dia, confesso que tenho lido bem pouco. Acabo lendo mais o que eu escrevo, dentro do meu processo de escrita, e algumas pesquisas que faço. Mas eu percebo que a leitura ganhou um significado maior na minha vida a partir da minha graduação em Psicologia. Esse curso faz a gente ler até o que não gosta ou o que nem sabia que existia… E eu acho que a partir disso aprendi a ler de verdade. Ler com discernimento, com sabedoria. E não apenas ler por ler. Penso que hoje eu leio por algum sentido, senão acabo não lendo. Parece até meio mesquinho, talvez. Mas não consigo ler naturalmente o que não me toca de início. Estou com um livro parado desde o começo do mês e ainda não concluí a leitura. Acho isso ruim, pois sinto que preciso exercitar constantemente a minha capacidade de ler até mesmo para continuar escrevendo.
GMM: O que você busca nas suas composições? Qual é a sua intenção ou desejo ao criar uma música? Há alguma preferida?
LA: Puxa, são perguntas que eu acho muito difíceis de responder… Acredito que as composições surgem, pra mim, de forma muito livre, talvez sem uma real intenção mesmo. Geralmente, quando entro no processo de criação de uma música, eu começo elaborando a melodia, vendo os acordes, testando o que combina, sentindo os sons e a forma como isso me bate. Logo em seguida vai surgindo alguma letra, primeiro uma frase, uma vocalização, nada completo. Penso que seja esse o meu processo. Às vezes, parece que as músicas têm vida própria; elas surgem como e quando querem. E, se eu tenho alguma minha preferida, acho que tenho aquelas que mais gosto de cantar e tocar, como a “Ocasional”, “De novo”, “Uma nova mulher”… mas essas fazem parte da ponta do iceberg, pois tenho muitas que ainda sequer toquei em público e que gosto muito!
GMM: Como nasce um poema para você? Existe algum processo criativo, ritual ou circunstância que favoreça a sua escrita?
LA: Meus poemas nascem do cotidiano, talvez de uma observação mais direta sobre algo e não de um período de inspiração. Acho que posso dizer que eles nascem quando me dá na telha! Inclusive, penso como é difícil pra mim mesma dizer que sou poetisa… Acabo vendo meus poemas mais como reflexões isoladas do que algo poético, pela arte em si. Quanto ao processo criativo, não há ritual ou circunstância exata. Todo momento é um pretexto para escrever e escrevo todos os dias, em qualquer lugar que eu estiver, em casa, na rua (caminhando, muitas vezes), no trem ou um pouco antes de dormir… Onde eu encontrar uma brecha, no meu dia, estarei escrevendo.
GMM: Para você, o que torna um poema realmente bom? E qual é o seu favorito dentre os de sua autoria?
LA: Na minha opinião, um poema é realmente bom quando ele nos causa assombro. Mas não no sentido ruim da palavra e, sim, como um efeito de admiração, surpresa, insight… algo como uma revelação. Com isso, acredito que cada pessoa é tocada de um jeito diferente ao ler um poema. Também acho válido dizer que a aplicação de metáforas ou trocadilhos numa obra como um poema cai muito bem para causar esse efeito de assombro. Em resumo, um poema precisa nos incomodar, mexer em algo dentro da gente, até então, acomodado. Falar de um poema meu favorito é muito difícil… mas o que me vem primeiro em mente é o “Janela”, um dos primeiros que escrevi:
Janela
A janela revela
Através dela
O mundo pra ela
Que a janela
Dela revela ter
É como se desse uma sensação de looping ao ler esse poema. Um retorno, um ciclo que se completa por si só; um reencontro com nós mesmos…
GMM: Na sua visão, qual é a importância da arte na vida das pessoas?
LA: Com certeza, a importância da arte está na nossa formação enquanto seres humanos. Arte é sentimento, um dos pilares vitais da vida. O mundo em si é arte, se formos observá-lo de uma perspectiva de Criação, por exemplo. A arte está nas coisas antes mesmo de ser identificada ou de a denominarmos enquanto “arte”. Penso que seja isso: um elemento vital para nossa existência.
GMM: No seu livro de estreia, “Ensaios Criativos”, há dois poemas que me remeteram à escrita de um romance: “Parte mais difícil” e “A escrita é sempre intimista”. Ambos são referências ao processo de escrita do seu novo projeto?
LA: Sim, com certeza. Ao mesmo tempo em que eu escrevia o Ensaios Criativos, também já estava em processo de elaboração da minha nova narrativa que hoje segue em pré-venda. À medida que eu encontrava certos desafios nessa construção, o Ensaios Criativos me servia como uma válvula de escape para refletir sobre esse processo de escrita. E, sobre referenciar a “parte mais difícil”, tomei como base o temido momento em que precisamos lapidar melhor o texto, ou seja, esculpi-lo, fazer a limpeza… pois nem tudo o que colocamos no papel vai pra edição final de uma obra. Já, quanto à escrita ser sempre intimista, penso que, em primeiro lugar, estou escrevendo pra mim, depois pros meus leitores. Então, esse momento precisa ser prazeroso, antes de mais nada; precisa ser apenas pra mim pra depois ser dos outros. A escrita é um ato de intimidade. Quando escrevo, deixo uma marca minha pro mundo lá fora. Por isso, sinto essa necessidade de escrever primeiro pra mim, lapidar, limpar, flertar com o texto antes de lançá-lo ao mundo.

GMM: Aproveitando o gancho, você está lançando o seu primeiro romance, intitulado “Extremas Condições”. Poderia nos falar um pouco a respeito dele?
LA: Bom, essa é a minha primeira grande obra literária, pois levei praticamente nove meses para geri-la! Iniciei a escrita informal (intimista) em dezembro de 2024, no formato de uma escaleta mesmo, cena por cena, indicações de falas, sentimentos e ações dos personagens. Em meados de 2025, fui pra fase da escrita formal, dos ajustes, das novas perspectivas sobre a narrativa, da divisão dos capítulos, da construção de parágrafos, dos diálogos e do cuidado todo com a coesão e coerência (até porque Extremas Condições é um romance com múltiplas camadas e situações cruzadas). Antes, o que era pra ser só uma novela curta, contando com dois personagens, um tentando fugir do outro, tornou-se um enredo gigante, com cerca de onze personagens que fazem toda a diferença pra trama. Mas foi somente a partir de julho/agosto que fui pra fase final de aprimoramento da obra, como os cortes nos excessos e a revisão em si. Eu tenho muito orgulho dessa história, pois ela surgiu justamente no período em que eu estava voltando a escrever depois de um hiato de doze anos… Parei de escrever escrita criativa no final da adolescência quando entrei pra faculdade e só com trinta anos consegui conquistar essa façanha novamente!
GMM: Quais são os seus principais projetos artísticos no momento e onde o público pode encontrá-los? E, nesse meio, o que você sonha realizar nos próximos anos?
LA: Tenho projetos tanto na literatura quanto na música, além do meu trabalho enquanto psicóloga clínica. Na parte literária, meu primeiro romance, Extremas Condições, está em pré-venda pela plataforma da Benfeitoria (clique no link para apoiar). Quem quiser, pode adquirir um exemplar autografado por mim ou pode ajudar doando algum valor pra campanha de arrecadação pra publicação. Também, sigo escrevendo outras narrativas em paralelo e já tenho um novo romance na gaveta, que talvez ficará apenas para o início do próximo ano. Na parte musical, minha última produção foi em 2023 quando lancei o single “Livre, leve e solta”. Agora, venho cogitando gravar meu primeiro álbum que, provavelmente, será lançado apenas em 2027 também. E, pra quem quiser curtir minhas composições, é só conferir direto o meu canal no YouTube (clique no link para acessar) ou pelo Spotify (clique no link para acessar). Além disso, tenho feito parcerias com outros artistas, escritores e músicos, sobre as quais em breve falarei mais nas minhas redes sociais… Sou uma pessoa de projetos, então estou sempre fazendo uma arte por aí! No meu próprio Instagram pessoal compartilho minha rotina em relação à escrita. Quem tiver interesse em conferir é @souluizaaalves. Para publicações relacionadas à música, é o @luizaalvesmusic.
GMM: Há algo que você gostaria de acrescentar, que eu tenha deixado passar?
LA: Quero agradecer pela parceria e pelo espaço para poder falar a respeito dos meus projetos! É muito satisfatório saber que há pessoas que apoiam meu trabalho genuinamente, então deixo meu muito obrigada e um grande abraço por todo o reconhecimento que tenho recebido até aqui!
