BIOGRAFIA:
Patricia Keder é educadora, escritora, ilustradora e cientista de alma e coração. Natural de Mogi das Cruzes (SP) e radicada em Caraguatatuba, atua há mais de uma década como professora de Química na rede estadual de São Paulo, onde descobriu que a ciência precisa de afeto para ser compreendida. Inspirada por suas filhas e pela convivência com seus alunos, deu vida à Microlândia, universo que estreou na literatura com a obra premiada "Microlândia: As Aventuras dos Superátomos" (vencedora do Prêmio Ecos da Literatura). Tecendo pontes entre a razão e a sensibilidade, Patricia também expande sua escrita para a poesia, marcando presença nas coletâneas "Elas Poetas" (Editora Vira-Tempo), com lançamento na Flip de Paraty, e "Quando Grita o Coração" (The Four Editora).
Guilherme Mossini Mendel: Quem é Patricia Keder Sandim Reis? Como você se apresenta e se define para o público?
Patricia Keder Sandim Reis: Sou professora de Química, autora e apaixonada por transformar a ciência em afetividade. Há mais de dez anos na sala de aula, aprendi que os conceitos mais complexos só ganham vida de verdade quando tocam o coração.
Escrevo para conectar literatura, mente e empatia, criando histórias onde a curiosidade e o amor andam lado a lado. Para mim, educar e escrever são formas puras de encantar, acolher e construir pontes entre o conhecimento e a alma.
GMM: Em que circunstâncias a leitura entrou na sua vida e qual a importância dela para você?
PKSR: A leitura sempre foi o meu porto seguro, desde menina, nas histórias que aqueciam o nosso lar. Esse amor se tornou ainda mais bonito quando fui mãe: ler para as minhas filhas, desde a barriga, foi a nossa primeira forma de abraço e afeto.
Com os livros, ensinei, acolhi e criei memórias inesquecíveis ao lado delas. Hoje, essa mesma paixão que uniu a minha família é o coração de tudo o que sou, ensino e escrevo.
GMM: De que maneira surgiu a inspiração para escrever a obra literária “Microlândia: As aventuras dos superátomos” e o que você pretende com ela?
PKSR: A semente de "Microlândia: As Aventuras dos Superátomos" foi plantada em 2017, dentro de uma sala de aula de Química. Minha maior inspiração sempre foram meus alunos e minhas filhas, mas o projeto ganhou um propósito especial graças a uma aluna do EJA. Com a curiosidade típica de quem quer desbravar o mundo, ela me disse que adoraria ver o conteúdo das aulas transformado em contação de histórias.
Aquele pedido ecoou em mim. O que começou como anotações em 2017 passou por um longo período de maturação. Em 2023, após mergulhar em cursos de escrita criativa para dar o tom certo à narrativa, comecei a estruturar esse universo. Finalmente, em 2025, a jornada saiu do quadro negro para as páginas, provando que a ciência, quando contada com afeto, se torna uma aventura inesquecível.

GMM: Além de literatura infantil e infantojuvenil, como o livro supracitado, o que mais você escreve?
PKSR: Além de escrever para a infância e juventude, encontro na poesia e nas antologias poéticas o meu refúgio mais íntimo. É através dos versos que traduzo sentimentos, resgato memórias e dou voz à minha essência feminina. A poesia é onde transformo a sensibilidade do cotidiano em acolhimento, dando vazão às minhas emoções mais profundas para tocar a alma de quem me lê.
GMM: Sendo professora e escritora, como você busca equilibrar o lado lúdico e divertido da narrativa com a mensagem ou o ensinamento que deseja passar aos leitores?
PKSR: Para mim, o equilíbrio nasce da empatia. Não busco ensinar de cima para baixo, mas sim convidar o leitor para uma aventura onde ele se envolva na ação. O lado divertido prende a atenção e faz os olhos brilharem; o ensinamento vem naturalmente, como consequência do carinho desenvolvido pela história. Sem imposições, o aprendizado ganha significado, e é esse significado que cria uma conexão real com o leitor.
GMM: Como a sua vivência como professora e o contato diário com os alunos inspiram ou influenciam a maneira como você constrói as suas histórias?
PKSR: A inspiração surge no meio da rotina, quase sem pedir licença. Ela nasce da observação atenta em sala de aula, de uma pergunta inesperada e da troca sincera com os alunos; é ali, no olho no olho com eles, que a maioria das ideias ganha forma.
Meu processo criativo começa de maneira leve e espontânea: registro essas ideias em anotações rápidas e soltas. Mais tarde, no silêncio do meu tempo, releio esses retalhos e organizo tudo no caderno, dando estrutura, afeto e vida às histórias.
GMM: Quais são os autores, vivos ou mortos, que mais lhe marcaram? Há algum que você considera um mestre ou referência constante?
PKSR: Júlio Verne, Clarice Lispector, Manoel de Barros, Ruth Rocha, Aline Bie, Stephanie Sandim, Paula Ribeiro, Guilherme Mossini Mendel e Pietra Seráfico.
GMM: Como funciona a sua rotina de escrita? Você possui algum horário preferido, um ambiente ideal ou um "ritual" para conseguir colocar as ideias no papel?
PKSR: Muita gente me pergunta se eu escrevo apenas quando a inspiração aparece, mas a verdade é que aprendi a preferir que ela me encontre trabalhando. Acredito que a escrita floresce na constância. Por isso, mantenho uma rotina: tento escrever nem que seja um parágrafo por dia, só para manter o hábito, e o meu coração, vivo no papel.
Meu ritual de criação varia conforme o que a história pede. Eu amo o silêncio, mas na maioria das vezes preciso de um 'empurrãozinho' criativo. Nesses momentos, recorro aos mantras e aos Solfeggios. Tenho dois aliados específicos que preparam o meu 'solo' mental para as palavras nascerem:
A frequência de 528 Hz: É a minha favorita para a ficção. Conhecida como a frequência da 'Transformação e Milagres', ela abre as portas da imaginação ilimitada. Uso quando preciso criar novos mundos ou resolver um bloqueio na trama, pois ela reduz o estresse e abre espaço para ideias que pareciam impossíveis.
A frequência de 417 Hz: Uso para limpeza e mudança. Escrever nem sempre é fácil e, nos dias em que o texto parece 'pesado' ou a página em branco assusta, essa frequência me ajuda a dissipar pensamentos negativos. Ela me dá o fôlego necessário para recomeçar uma cena com energia renovada.
Para mim, essas frequências são mágicas; elas não apenas relaxam, mas organizam o meu caos criativo e permitem que a história flua com clareza.
GMM: O público infantojuvenil costuma ser muito sincero. Como é a sua relação com os seus leitores e qual foi o retorno mais marcante ou curioso que você já recebeu deles?
PKSR: O público infantojuvenil é, sem dúvida, o leitor mais honesto e apaixonante que existe! Ele não esconde quando gosta, faz perguntas sem filtro e se entrega de corpo e alma aos personagens e às histórias. A relação com eles é pautada por essa troca direta, afetuosa e sem intermediários. É um olho no olho em que eles não querem apenas ler o livro; querem saber se os personagens existem mesmo, o que a gente sentiu ao escrever e até se vivemos aquilo na vida real.
Outro dia, por exemplo, aconteceu uma situação muito engraçada e especial. O amigo do meu esposo comprou "Microlândia" para presentear a filha. No 'Dia do Livro', ela levou a obra para ler em sala de aula e soltou uma pérola maravilhosa para a turma: 'Meu pai é amigo do Sergio Energético!’
Isso é incrivelmente gratificante, porque mostra o quanto é importante dar humanidade aos personagens. O impacto foi tanto que, depois, meu esposo precisou ir até a escola para 'provar' que era mesmo o Sergio Energético (como ele é bombeiro, dá para imaginar o quanto as crianças amaram esse encontro, rsrs).
Foi um momento inesquecível! Uma pena não podermos compartilhar o registro em vídeo ou por fotos, por conta das diretrizes de proteção do ECA, mas a memória desse carinho fica guardada para sempre.
GMM: Que projetos literários você sonha realizar nos próximos anos?
PKSR: Este ano, se Deus quiser, irei publicar mais um livro infantil, e com uma novidade especial: além de escrever, eu também o ilustrei! Para o ano que vem, pretendo publicar meu livro de poemas, que está guardado na gaveta há um bom tempo. Pretendo continuar me dedicando com muito carinho às infâncias e à poesia, duas paixões das quais não abro mão.