Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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Textos

 

 

BIOGRAFIA:

 

Flora Figueiredo (1947) é natural de São Paulo, onde realizou seus estudos e formou-se como tradutora e intérprete, com proficiência em língua inglesa pela Universidade de Michigan. Publicou diversos livros de poesia e obras infantis, entre eles “Dom”, premiado pela União Brasileira de Escritores (UBE). Um de seus livros foi igualmente lançado em Portugal.

 

Finalista do Prêmio Jabuti na categoria Poesia, Flora foi vice-presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, colaboradora da Editora Abril e correspondente do Centre International d’Études Poétiques, na Bélgica. Como letrista, mantém parcerias musicais com Ivan Lins e outros compositores.

 

Alguns de seus livros foram adotados em redes públicas de ensino e seus textos figuram em gramáticas escolares. Participou de inúmeros encontros literários, feiras, bienais, palestras, saraus e antologias poéticas, consolidando sua presença na cena cultural brasileira e internacional.

 

 

 

 

 

Guilherme Mossini Mendel: Quem é Flora Figueiredo hoje? Como você se define para si mesma e para o público?

 

Flora Figueiredo: Com 40 anos de carreira, tenho hoje muita segurança no que faço, mas também muita humildade para reconhecer que há sempre muito mais a aprender. Percebo que tenho um estilo bem definido, que parece simples, mas é intensamente trabalhado, seja na forma, seja no conteúdo.

 

 

GMM: Como a leitura e a poesia entraram na sua vida, e em que momento você percebeu que era poeta?

 

FF: Comecei a ler sozinha, aos 5 anos. Não imagino como isso aconteceu, mas as palavras exerciam em mim enorme atração e eu ficava horas tentando decifrá-las. Redação era minha aula preferida e tive a sorte de estar em um colégio que valorizava muito a Literatura e estimulava a escrita. Minha mãe lia poesia em voz alta e, embora ainda bem pequena, aquela sonoridade me conquistou. Comecei muito cedo a rabiscar meus primeiros versos.

 

 

 

 

GMM: Quais autores ou poetas marcaram sua formação e continuam sendo referência para você?

 

FF: Sou encantada por Guilherme de Almeida, Paulo Leminski, Hilda Hilst, Mario Quintana, Renata Pallottini, Affonso Romano, entre tantos outros maravilhosos. A poesia lusitana é extremamente rica e é comum eu procurar autores portugueses também. Acredito que uma das minhas influências mais evidentes é Guilherme de Almeida, que conheci pessoalmente em casa de meus pais.

 

 

GMM: O que você busca transmitir em sua poesia? Há uma intenção ou desejo que guia sua escrita?

 

FF: Quando escrevo, não há intenção predeterminada. O poema nasce de forma inesperada, até mesmo no meio da noite. Quando isso acontece, anoto a ideia para desenvolvê-la depois. Ando com um caderninho na bolsa porque nunca sei o momento do chamado poético. Pode ocorrer em casa, no trânsito, no cinema e muito comumente em momentos na Natureza.

 

 

 

 

GMM: Na sua visão, o que torna um poema realmente bom?

 

FF: Um poema bom é aquele que emociona e faz pensar. O grande poeta José Paulo Paes, falecido, dizia que, quando ele escolhia os poemas que fariam parte de algum livro seu, usava a técnica do arrepio. “Se arrepiou, valeu”. Concordo plenamente. É comum eu ouvir de algum leitor que um poema meu foi feito para ele. Quando isso acontece, é o êxtase de qualquer poeta.

 

 

GMM: Qual dos seus poemas você guarda com mais carinho e por quê? Poderia nos mostrá-lo, por favor?

 

FF: Todos os meus livros são igualmente amados. Cada um deles passa por um processo de gestação, por vezes demorado e, ao ser publicado, é como um novo filho que nasce. Eles têm em comum o estilo, mas personalidades diferentes por terem sido escritos em momentos diferentes.

 

 

 

 

GMM: Como nasce um poema para você? Existe algum processo criativo ou circunstância que favoreça sua escrita?

 

FF: Como eu disse na quarta pergunta, os poemas chegam de improviso. O poeta tem que estar sempre preparado para percebê-lo e aceitar transcrevê-lo. Os olhares mais sensíveis captam a poesia, mesmo que não saibam como descrevê-la.

 

 

GMM: Qual é a importância da poesia na vida das pessoas, especialmente em tempos tão acelerados e digitais?

 

FF: Hoje, mais do que nunca, a poesia se faz necessária. É como um bálsamo nas dores do mundo. Procuro fazer minha parte, tentando amenizar o momento tão violento, árido, ameaçador, injusto. Mesmo quando abordo temas tristes, procuro as palavras certas para dar um respiro às dores inerentes à nossa época.

 

 

 

 

GMM: Quais obras suas você destacaria para quem deseja conhecer melhor sua poesia?

 

FF: Sei que a maior parte de minhas obras estão esgotadas, mas o livro que recebeu mais reedições foi “Chão de Vento”, da Geração Editorial. Não sei se haverá interesse das editoras em novas edições. Poesia sempre assusta os editores por ser o gênero menos comercial, mesmo em se tratando de autores já bem conhecidos (acho que “consagrados” soaria muito pretensioso de minha parte).

 

 

GMM: Que projetos literários você sonha realizar nos próximos anos?

 

FF: Tem um novo livro terminado, mas ainda sem programação. Tenho outras atividades, não literárias, que me exigem presença e atenção.

 

 

 

 

GMM: Como você vê a relação entre poesia e outras artes, como teatro e música, especialmente quando artistas como Miguel Falabella interpretam seus versos?

 

FF: Recentemente, tenho a alegria de ver meus poemas declamados por Miguel Falabella, com imensa competência e intensidade. Parece que ele captura meu sentimento e o faz com muita identificação. Não nos conhecíamos, e ele me descobriu através dos livros. A poesia se mescla com a música e com as artes cênicas desde sempre. Já vi também nas redes sociais poemas meus declamados por Antônio Fagundes, Marília Gabriela, Elias Andreato. São estímulos que mantém a poesia viva.

 

 

GMM: Que mensagem você gostaria de deixar aos leitores que estão descobrindo sua obra agora?

 

FF: Deixo como mensagem a algum possível leitor, que tenha na poesia uma companheira para os mais diversos instantes. É preciso ter a consciência de que não se lê poesia como se lê prosa. São propostas diferentes, mas ambas acrescentam. Leitura sempre.

 

 

- Assista à declamação do poema "Subida", brilhantemente executada pelo inigualável Miguel Falabella: Subida

 

- E veja a virtuosa cantora Simone e o renomado músico Ivan Lins interpretando a canção "Enrosco", composta por Ivan Lins e Flora Figueiredo: Enrosco

 

 

Guilherme Mossini Mendel e Flora Figueiredo
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 10/04/2026
Alterado em 10/04/2026
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