Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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AUTORES EM DESTAQUE: Episódio 2 (Entrevista com Guilherme Mossini Mendel)

 

 

— Entrevista originalmente publicada no perfil no Instagram da escritora cristã e leitora crítica Pietra Seráfico (@pietraserafico).

 

 

Biografia: Guilherme Mossini Mendel (Erechim, RS, 1987) é mestre em Estudos Linguísticos e professor de Língua Portuguesa. No campo literário, é autor de sete obras poéticas e já participou de diversas coletâneas. Sua escrita é marcada pela união entre o rigor acadêmico e a sensibilidade poética, buscando inspiração na música, no cinema e no seu cotidiano como educador.

 

 

Como nasceu a ideia para escrever seu livro “Contudo”?

 

Nos últimos anos, eu já vinha reunindo alguns poemas inéditos em livro. Aos poucos, fui incluindo alguns em antologias e cogitava publicar um trabalho solo futuramente, embora ainda não soubesse como estruturá-lo nem a quem confiar sua edição. Nesse ínterim, deparei-me com a chamada relâmpago de originais da editora M.inimalismos e identifiquei-me profundamente com a filosofia de trabalho da empresa. Munido de quarenta poemas e de um título já em gestação, submeti o material para avaliação — pela primeira vez, já que meus livros anteriores haviam sido lançados de forma independente. Assim, “Contudo” não nasceu de um planejamento prévio, de uma ideia fixa, mas de uma oportunidade que abracei plenamente.

 


Quais foram as maiores inspirações para os assuntos dos poemas?

 

Costumo registrar em versos ideias que surgem quase completas, fruto de reflexões pessoais ou de situações que observo. Na maioria das vezes, tratam de condutas humanas, das rápidas (e nem sempre positivas) transformações do mundo e do funcionamento da sociedade. Em outras ocasiões, elaboro algo mais leve, mas desde os primeiros poemas minha poesia se constrói nesse tom existencialista e reflexivo, como um desabafo poético.

 


Muitos poemas do livro questionam comportamentos da sociedade e até o conceito de evolução humana. Você acredita que a poesia também pode funcionar como uma forma de crítica social?

 

Sinceramente, a poesia aconteceu para mim dessa forma. Desde criança, fui influenciado por bandas de rock que compunham letras elaboradas, críticas e reflexivas. Somando isso ao fato de que os primeiros poetas que me cativaram foram Augusto dos Anjos e Gregório de Matos, já se delineia bem o caminho que sigo. Essa influência me marcou de maneira positiva, afetando não apenas minha produção literária, mas também minha própria identidade.

 


Se você tivesse que descrever seu livro em apenas uma frase, qual seria?

 

Com tudo que tem acontecido no mundo e com as pessoas, parece que não estamos vivendo na verdade, mas sim, imersos em um pesadelo; contudo, é preciso erguer a cabeça e seguir adiante, com sensibilidade e coragem.

 


Em algum momento, você pensou em desistir de escrever este livro?

 

Sempre sinto que o livro poderia ser melhor ou mais lapidado. Confesso que sou impulsivo ao publicar e talvez minhas obras fossem mais consistentes se eu tivesse mais paciência e cuidado. Mas não vejo isso apenas como um defeito: essa inquietação me faz buscar constantemente minha melhor versão, e essa impulsividade me leva a compartilhar o que produzo sem aprisionar nada na gaveta.

 


O poema “Tentar” traz uma estrofe muito forte: “Tentar é muito mais que conseguir, pois conseguir é o fim e tentar é a caminhada.” Essa visão sobre o valor do processo reflete alguma experiência pessoal sua?

 

Acredito que a verdadeira força está na busca por realizar nossas metas, pois é ela que realmente move o ser humano. Precisamos de motivação constante e, como dizia meu pai, “o ser humano é um eterno insatisfeito”. Assim, cada conquista nos leva a desejar novos objetivos, porque é o movimento que nos mantém vivos. Cada fim, afinal, é apenas o início de uma nova caminhada.


 

No poema “Verbo(a)”, quando você escreve “E o verbo, que no princípio era amar”, é impossível não lembrar da referência bíblica ao “Verbo”. Essa conexão com o texto sagrado foi intencional? A sua escrita tem alguma relação com espiritualidade ou você não costuma se prender a rótulos?

 

Desde que começamos a conversar, percebi como alguns poemas trazem referências bíblicas ou analisam condutas nada cristãs presentes na sociedade. Não é algo planejado, mas surge como intertextualidade inevitável das influências que nos cercam. Em “Contudo”, a única alusão bíblica consciente foi no poema “O plano do Diabo”. De resto, essas referências aparecem sempre com intenção crítica: muitas pessoas se dizem cristãs, frequentam missas ou cultos, seguem rituais, mas no cotidiano agem de forma contrária ao que pregam. É nesse contraste que minha poesia se insere, mostrando que, apesar de toda a beleza e espiritualidade que existe no mundo, o ser humano, muitas vezes, insiste em se afastar disso.

 


Se você pudesse dar um conselho para quem quer escrever um livro, qual seria?

 

Estude bastante, tanto para desenvolver um domínio linguístico sólido quanto para adquirir bagagem cultural que permita acrescentar algo relevante. Leia muito, não apenas para ampliar conhecimento, mas também para observar modelos de escrita. Motivação, dedicação, talento e originalidade são essenciais, mas nada substitui a competência, que só se conquista com qualificação e prática constante.

 

Guilherme Mossini Mendel e Pietra Seráfico
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 23/03/2026
Alterado em 23/03/2026
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