BIOGRAFIA: Lilian Ferraz, nascida em São Paulo, no finalzinho da década de 60. Moradora da região metropolitana, mãe de um filho, servidora pública e entusiasta da escrita. Formada em Psicologia e pós-graduada em Gestão Pública.
Guilherme Mossini Mendel: Quem é Lia Fátima? Como você se apresenta e se define para o público?
Lia Fátima: Lia Fátima é um codinome que adotei em meados de 2021, anteriormente era Lilian Vargas e mantinha Lilian Ferraz em algumas plataformas de publicação de textos. Sou uma pessoa simples que gosta da natureza, música, letras, caseira, espiritualista e que sonha muito (oniricamente falando). Sentimental e saudosista. Um pouco maliciosa, mas sem aquele apelo vulgar que acho desnecessário nas letras. O público me vê como uma pessoa diversificada, pois escrevo de tudo um pouco e também aprecio leituras diversas; mas, de forma singela, não sou rebuscada e erudita com as palavras. A simplicidade é meu melhor atributo na poesia.
GMM: Quando e com quem você descobriu a poesia, e em que momento percebeu que era poeta?
LF: Eu lia poesias na escola, mas nunca me vi escrevendo; e, como minha mãe escrevia alguns poemas, às vezes ela lia, e eu ficava imaginando como ela “pensava” naqueles temas; depois, já adulta, eu me vi escrevendo com o advento da tecnologia e facilidade de publicar na internet. Isso me trouxe vontade de dar "asas à imaginação". E, assim, acabei por me deliciar com o movimento das palavras e sonoridade quando estas rimam. Tardiamente me vi publicando e sendo lida, e confesso que foi gratificante essa descoberta.
GMM: Em que circunstâncias a leitura entrou na sua vida e qual a importância dela para você?
LF: Leituras eu sempre gostei desde pequena, mas, como não tínhamos condições de comprar livros (na época eram caros, e os livros eram algo que somente poucos conseguiam adquirir), eu frequentava a biblioteca da escola, pedia emprestado ou lia quando estava em um local onde havia gibis e revistas para leituras.
GMM: Quais são os poetas, vivos ou mortos, que mais lhe marcaram? Há algum que você considera um mestre ou referência constante?
LF: Sempre gostei da escrita leve e abrangente de Mario Quintana e de Cecília Meireles. Claro que não poderia deixar de citar Fernando Pessoa, autor que sei de cor um poema dele que aprendi na escola e nunca mais esqueci (“Contemplo o lago mudo”); e Machado de Assis (nunca fui boa em contos, mas li muitos contos dele e romances também). Atualmente leio escritores contemporâneos, como Socorro Acioli, Paulo Vieira e muitos outros das plataformas literárias que participo, e não conseguiria citar todos eles.
GMM: O que você busca na sua poesia? Qual é a sua intenção ou desejo ao escrever?
LF: A poesia favorece a expressividade e emoções de uma forma mais simbólica e fluida. Ao conversarmos com um colega, expomos aflições e anseios; numa sessão terapêutica, aliviamos pesos emocionais; e, na escrita, liberamos os excessos de carga emocional nas linhas, com emoções saltitando entre euforia, raiva, desprazer e nostalgia. Assim, ao escrever, deixo um pouco ou traços de mim nas linhas. Nem tudo que escrevo vivencio, e nem tudo que vivencio escrevo, mas sempre tem algo ali, para ser trabalhado e ressignificado de alguma forma.
GMM: Para você, o que torna um poema realmente bom? E qual é o favorito dentre os poemas de sua autoria? Poderia nos mostrá-lo, por favor?
LF: O poema para ser bom, no meu entender, precisa fazer eco com o leitor. Ou seja, se há um apelo no poema em que o autor expressa nas linhas o que deseja, anseia ou radicaliza de alguma forma, e esse apelo encontra um leitor que lê, reflete, se inspira ou mesmo recria algo baseado no poema, este texto já tem seu valor produtivo, pois tocou o coração e alma de alguém, quer seja pela beleza e lirismo, quer seja pela potência e força, o poema é bom.
Favorito é difícil de escolher um, são muitos escritos, eu não saberia escolher um. Talvez seja “Turmalina”, que sempre falo dele, ou “Amor de verão”. Eu realmente não saberia escolher, porque cada um tem sua importância e traz o significado do momento; então todos são importantes, mesmo sendo menos elaborados. Agora, neste momento em que escrevo, lembrei do poema “Cata-vento”, eis o mesmo:
Cata-vento
Um pontinho ali marcado ao léu
Alterando a insípida monotonia
Contrastando com o azul do céu
Quebrando assim o ritmo do dia
Nas esféricas ondas de energia
Que os ventos oscilantes geram
Tornam-se suaves nas cercanias
Que na sua simplicidade imperam
Prisma emoldurado na paisagem
Numa singeleza de movimentos
Convidando a mirar sua imagem
Vai girando nas dobras do tempo
GMM: Na sua visão, qual é a importância da poesia na vida das pessoas?
LF: Creio que, como eu citei, o fato de extravasar emoções, e fazer isso de forma mais fluída e com menos severidade do que um diário ou um relato psicológico, seja o grande pulo do gato da poesia na vida das pessoas. A poesia sugere, indica, transforma e personaliza um ser, e assim podemos até trabalhar nas terapias em consultórios com a liberdade de escrita através de poesias para favorecer que emoções sejam escritas e depois elaboradas no trabalho psicológico. No dia a dia, além do entretenimento, podemos deixar mais leve e suave a rotina com essas leituras. Também contribui para que, através das letras encadeadas num poema, possamos desenvolver potencialidades que desconhecemos, como a linguagem escrita e verbal, intuição, criatividade e o lado emocional, por mim já citado.
GMM: Como nasce um poema para você? Existe algum processo criativo, ritual ou circunstância que favoreça a sua escrita?
LF: Eu, geralmente, me deixo levar por uma cena real ou não (fantasiando), um nome, uma música, uma fala, algo que sugere o poema e dou andamento à poesia em si. Fico, por vezes, algumas horas ou dias com a mesma ideia, e depois escrevo. Quando consigo ajustar tempo e espaço, acabo escrevendo num rascunho e deixo lá para finalizar melhor.
GMM: Quais são as suas principais publicações, seja em livro ou na internet, e onde o público pode encontrá-las?
LF: Eu não tenho livro publicado e, na internet, tenho um blog (palavrasnotasevivencias) e
costumeiramente no site Recanto das Letras e na Casa dos Poetas e da Poesia. Antes eu escrevia em outros mais; porém, com outras atividades, sobra pouco tempo. Então, fiquei somente com três sites, além do Facebook, onde publico de vez em quando.
GMM: Que projetos literários você sonha realizar nos próximos anos?
LF: Realmente, não penso muito nisso. Eu escrevo e tenho meu blog e deixo lá. Depois, vejo se vou juntar e publicar — e daria vários livros, pois tenho bastante em arquivo.
Já participei de várias antologias físicas e digitais, e um livro ainda poderia agregar mais a esse Universo literário; porém, confesso que toda essa parte de edição, rascunho, diagramação, correção etc, me cansa só de saber; então acabo nem fazendo nada neste sentido. Mas vou pensar em algo para dar vez a alguns poemas que são meus “queridinhos”.