Alguns livros a gente lê pela história. Outros a gente lê pelo sentimento. Esse aqui definitivamente entra na segunda categoria.
Essa obra me passou muito a sensação de um grande desabafo em forma de poesia. Uma tentativa de compreender o mundo, a humanidade e até a si mesmo. Em vários momentos, os versos exploram muito a dualidade humana: reconhecer o que temos, mas ao mesmo tempo sentir que não temos ou não somos nada. E foi justamente isso que mais me tocou na leitura.
Alguns trechos me fizeram lembrar muito de uma fase difícil da minha vida. Muitos pensamentos eram exatamente como alguns versos do livro descrevem, e por isso destaquei várias partes.
Um exemplo é quando o autor escreve: “Tentar é muito mais que conseguir, pois conseguir é o fim e tentar é a caminhada.”
Durante a leitura, eu fiquei pensando em algo que o próprio autor comentou: um crítico disse que o livro era “apenas um desabafo”. Mas, sinceramente? Poesia é exatamente isso. Poesia, para mim, é sinceridade em forma de versos. É transformar sentimentos, dores, reflexões e inquietações em palavras. É encontrar beleza até mesmo na melancolia da vida. E esse livro faz exatamente isso.
* Pietra Seráfico é uma escritora cristã e leitora crítica.
(Resenha originalmente publicada no perfil @pietraserafico do Instagram.)