Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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Textos

 

Entrevista com o escritor Kurpag, M

 

 

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Guilherme Mossini Mendel: Quem é Kurpag, M? Como você se apresenta e se define para o público?

 

Kurpag, M: Kurpag, M é um pseudônimo que expressa narrativas sem, necessariamente, afofar o ego e se vangloriar por ter publicado textos, contos, poemas e romances.

 

Pode ser uma ideia. Pode ser um canal de escrita e publicação. Um personagem que oferece escrita como convite à reflexão, protesto e entretenimento.

 

 

GMM: Quando e com quem você descobriu a escrita, e em que momento entendeu que era escritor?

 

K: Escrevo desde a infância. As lembranças mais sólidas que tenho são de atividades escolares, com temáticas mais livres, em que eram feitas histórias em quadrinhos ou livros ilustrados. Curiosidade: um destes, produzido em 2002, que teve 9,8 como nota por causa de um erro ortográfico, foi um livro confeccionado artesanalmente, escrito, desenhado e pintado à mão que, surpreendentemente, apresenta um enredo que se assemelha ao livro “A Lenda”, publicado em 2019.

 

 

GMM: Em que circunstâncias a leitura entrou na sua vida e qual a importância dela para você?

 

K: Livros infantis e quadrinhos da Turma da Mônica, lidos por mim ou por minha Mãe para mim, além das leituras obrigatórias da época da escola, que não me cativaram tanto, provavelmente por serem obrigatórias e, por isso, praticamente serem um convite ao atalho de buscar resumos na internet. Porém, foram iniciações. Adiante, um livro chamado “Janela Mágica” (não lembro do autor, mas era dos curtos da biblioteca para tarefas escolares), e livros de Sidney Sheldon e Dan Brown – estes, talvez, aumentaram o apetite por enredos mais complexos e viscerais.

 

A importância da leitura? Entretenimento, inspiração e ensinamento para a vida. E vislumbres.

 

 

GMM: Quais são os escritores, vivos ou mortos, que mais lhe marcaram? Há algum que você considera um mestre ou referência constante?

 

K: Sidney Sheldon, Dan Brown, Alan Moore, Alejandro Jodorowsky, Luis Fernando Veríssimo, Leonel Caldela, J. R. R. Tolkien, George R. R. Martin, Stephen King, Paulo Coelho, Eduardo Galeano, Jorge Amado, Ailton Krenak, não necessariamente nessa ordem.

 

Essa história de Mestre e Referência é complicada e ilusória, pois naturalmente quase tudo vira referência, direta ou indiretamente, e nem sempre é interessante seguir um passo a passo ou fórmula de uma pessoa. Acredito que tudo que inspira verdadeiramente é uma mestra ou um mestre.

 

 

GMM: O que você busca na sua escrita? Qual é a sua intenção ou desejo ao criar uma história?

 

K: Muitas vezes, comecei escritas com folha em branco “sem pensar”, com a ideia de ser diferente do que havia lido, (muito) chocante, e, pelo menos um pouco reflexivo. Com o tempo, isso de chocar mudou um pouco, e foi dando espaço para reflexões e provocações mais profundas, com mais ironias e protestos ao que nos deparamos no cotidiano político e social. Nisso, a ficção com ação, humor, ironia e terror chega com mais força e dinamismo.

 

 

 

 

GMM: 3 em 1: Por que optar pelo horror psicológico e social como eixo central da sua escrita? O que o fascina na brutalidade humana como tema literário? Você acredita que o horror é uma forma de revelar verdades sociais?

 

K: Individual e coletivamente, o psicológico e o social emergem naturalmente, conscientemente ou não. Quanto mais ignorados, maior a chance de “horror” na vida real. Daí uma justificativa da ficção para tratar de ocorrências cotidianas e brutais, embora ignoradas ou tiradas do foco no dia a dia (por válida precaução).

 

A mente pode ser uma ferramenta brutal que desencadeia ações brutais. Não diria que a brutalidade humana é um fascínio, mas sim um ponto chamativo em diversas das histórias que publiquei. É trágico perceber o choque de pessoas com a ficção enquanto ignoram a realidade.

 

Nos anos mais recentes, as publicações foram menos brutais (para quem acompanhou as primeiras), mas com o mesmo intuito: convidar à reflexão e somar a protestos sobre questões que parecem óbvias, mas são demasiadamente ignoradas no Brasil e no mundo.

 

 

GMM: Qual é a importância da crítica política em sua obra?

 

K: Fazer com que ideias e ideais saiam do imaginário e contribuam com ações concretas e eficientes ou reflexões consistentes, especialmente em um teatro apresentado no Brasil, reforçado com redes sociais e narrativas deturpadas.

 

 

GMM: Você se vê como um escritor de nicho ou busca alcançar o grande público?

 

K: Tenho focado muito pouco em “carreira”, e muito mais em propósito. Arte pela Arte. Fujo de conceitos ou etiquetas por natureza e quase não penso nisso, mas o óbvio (e o ban e os shadow bans que levei nas redes sociais) indicam que, de uma forma ou outra, me categorizaram como escritor de nicho.

 

Aliás, vivemos em uma época em que produzir suposto “conteúdo” engaja mais que produzir obras em si. Se isso for critério para ser popular, melhor duvidar que este seja um caminho coerente e que honre a Arte.

 

O que for natural, será o melhor. Se o chamado grande público se identificar, excelente.

 

 

GMM: Como se deu o processo de publicação dos seus primeiros textos (e do seu primeiro livro)?

 

K: Totalmente sem saber como seria. Como comentado, os primeiros contos foram sem roteirização antecipada, coisa de folha em branco e fluidez com direcionamento para o choque. Foram escritos diversos contos, escolhidos quase cinquenta e enviados para um amigo excêntrico o bastante para aceitar diagramar e publicar como livro físico e digital.

 

Em seguida, maior uso de redes sociais e canais de divulgação, contos e livros curtos somente digitais, e demais livros mais longos físicos e digitais.

 

 

GMM: Qual foi a reação das pessoas próximas quando você decidiu se dedicar à escrita?

 

K: Pouquíssimas pessoas próximas sabem que decidi me dedicar à escrita, de fato. Foi coisa pessoal essa de usar um pseudônimo para não contar com aprovação solidária de conhecidos.

 

Até hoje, as publicações realizadas como Kurpag, M são lidas por mais pessoas que não conheço pessoalmente. As que conheço ficaram chocadas, especialmente com os primeiros contos brutais.

 

Publicações sem uso de pseudônimo chegaram em mais pessoas conhecidas, e muitas delas gostaram muito.

 

Mais pessoas souberam desta escolha quando comecei a trabalhar profissionalmente com a escrita para além de livros. Neste sentido, as pessoas que sabem desta escolha – para trabalhar dentro do sistema com remuneração – não entendem 100% o que faço, só sabem que faço. Parece coisa muito distante da realidade delas (e está tudo bem).

 

 

GMM: Como surgem as suas narrativas? Existe algum processo criativo, ritual ou circunstância que favoreça a sua escrita?

 

K: Não acredito em métodos pétreos, nem em regras. O natural é a lei.

 

Sobre a escrita, são diferentes ciclos em diferentes épocas. Prefiro o natural ao forçado. Mas a disciplina de escrever diariamente pode auxiliar.

 

A depender do formato, pode ser uma notícia verídica a inspiração para um conto onde um político deplorável ou um suposto cidadão de bem vai sofrer consequências de seus atos, ou uma narrativa crua e fantasiosa que vai ganhando forma e significado ao longo de seu desenvolvimento.

 

Sem regra.

 

 

GMM: Quais são as suas principais publicações, seja em livro ou na internet, e onde o público pode encontrá-las?

 

K: As que mais ganharam destaque foram: “Da Mente Ao Impulso”, “A Lenda”, “Natal em Cidade Mágica”, “Caça Aos Demônios”, “Fogueira de Mediocridade” e contos das “Histórias Mais Curtas Do Que Eu Gostaria De Escrever”.

 

Livros físicos comigo, na Läjä Records ou na Amazon.

 

Livros digitais na Amazon.

 

Contos no Instagram @kurpag_m.

 

 

GMM: Que projetos literários você sonha realizar nos próximos anos?

 

K: Concluir histórias e publicar roteiros para quadrinhos, filmes ou séries.

 

 

 

Guilherme Mossini Mendel, Kurpag e M
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 15/03/2026
Alterado em 15/03/2026
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