Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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Textos

Sobre enigmas e (pré)concepções

 

Poetas, consagrados e anônimos, normalmente dizem que é feio explicar um poema, quase um pecado. Para estes, quem ousa fazer isso age como o Mister M, que demonstrava como os truques de mágica funcionavam, provocando o fim do encantamento. Eles enxergam a poesia como um enigma. Tudo bem se esse enigma respeitar interpretações possíveis a cada história de vida. Mas, quando intenta uma conclusão absoluta, há, certamente, o esvaziamento da mágica.

 

Não considero de todo condenável a elucidação do autor a respeito da sua obra. Até porque há muitas delas quase indecifráveis. E sinto que os indivíduos perdem o interesse por aquilo que não entendem.

 

Lembro-me bem das professoras que me ensinaram a ler: a da primeira série, que me mostrou como decodificar as letras; a do ensino médio, que me orientou sobre como identificar características e figuras de linguagem; a do ensino superior, que me fez enxergar nas entrelinhas e saborear os diferentes usos da língua. Creio que as duas últimas foram as que me ensinaram a ler, e a gostar de ler, de verdade.

 

Por isso, acredito que o escritor que demonstra os modos de construção da sua obra não está entregando o ouro, desfazendo a mística nem prejudicando a experiência. Para muitas pessoas comuns, que têm pouco contato com a Literatura, isso é fundamental para estabelecer compreensão e provocar a vontade de experimentar mais, de provar se elas também são capazes de perceber.

 

Do contrário, as mesmas razões que afastam indivíduos da Matemática, por exemplo, irão distanciá-los da poesia.

Guilherme Mossini Mendel
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 12/02/2026
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