Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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Entrevista com a jovem escritora Sofia Enderle Silva

 

 

BIOGRAFIA:

 

Sofia Enderle Silva nasceu em 2010, em Santa Catarina. Poetisa desde a infância, encontrou na escrita uma forma de traduzir sentimentos e dar voz às próprias inquietações. Seus textos integram coletâneas e revistas literárias e, em 2025, estreou em livro com "Flor-essência", obra que reúne poemas e contos escritos entre 2021 e 2025.

 

Aos 16 anos, revela sensibilidade e maturidade poética, construindo uma voz que se anuncia promissora no cenário literário contemporâneo. Em 2025, recebeu o Prêmio Troféu Quintanares de Ouro, da Editora Xbooks, conquistando a segunda colocação e o Troféu de Prata, reconhecimento que reforça a relevância e o impacto de sua produção literária.

 

 

 

Guilherme Mossini Mendel: Quem é Sofia Enderle Silva? Como você se apresenta e se define para o público?

 

Sofia Enderle Silva: Eu sou uma jovem de 16 anos que gosta de escrever e ler poesias. Também adoro ouvir MPB, em especial Caetano Veloso.

 

 

GMM: Quando e com quem você descobriu a poesia, e em que momento percebeu que era poeta?

 

SES: Eu comecei a escrever aos 11 anos, quando encontrei, por acaso, uma antologia poética de Orides Fontela nas coisas da minha avó materna. Me encantei com as ideias desta poeta acerca da desconstrução das palavras. Penso que um dicionário é pouco para definir os sentimentos humanos, e a poesia é o preenchimento desta falta. A partir dali, comecei a escrever, mas nunca me defini como poetisa. Não tenho essa audácia.

 

 

GMM: Em que momento a leitura entrou na sua vida e qual a importância dela para você?

 

SES: A partir do momento em que comecei a ler poemas e a escrever, também passei a ler outras formas de literatura. A leitura é de suma importância para a poesia que escrevo e para a pessoa que quero vir a ser.

 

 

GMM: Quais são os poetas, vivos ou mortos, que mais lhe marcaram? Há algum que você considera um mestre ou referência constante?

 

SES: Drummond, Orides Fontela e Manuel Bandeira. Considero todos uma enorme referência, mas, por memórias afetivas, ressalto Orides Fontela.

 

 

GMM: O que você busca na sua poesia? Qual é a sua intenção ou desejo ao escrever?

 

SES: Uma forma melhor de comunicação, algo que fale do interno, apesar de, às vezes, parecer que é a poesia que está buscando algo em nós, tanto na escrita quanto na leitura. Minha intenção é apenas ser compreendida.

 

 

GMM: Para você, o que torna um poema realmente bom?

 

SES: Minha concepção disso é abstrata. Mesmo que considere as linhas foscas na arte uma grande problemática, não tenho coragem suficiente para melhor defini-las. Somente ouso abordar esse assunto com um poema...

 

 

Para escrever um poema ruim, é necessário que se sinta o mundo

E adquira nos rascunhos austeros a euforia lúdica de um imundo

Que se encontra em meio à sujeira, numa rima de "amor" com "cor"

E que se tenha, por um segundo, uma ausência crua de pudor

 

Para amar um poema ruim, é necessário ter amado alguém

E entender, no coração, as redondilhas maiores que vão além

Pois sete sílabas são pouco, mesmo que "paixão" tenha apenas duas

Pois o amor é muito louco para caber em uma métrica dura

 

Para considerar um poema ruim, é preciso desarmar a calma

Eu devo separar o sentimento das letras, sabendo que matarei a alma

Preciso olhar em olhos marejados e dizer que a estrutura me atormenta

Sabendo que, no fundo, palavras são nada mais que ferramentas

E a poesia, realmente, está na beleza do que se sente

 

 

GMM: Como nasce um poema para você? Existe algum processo criativo, ritual ou circunstância que favoreça a sua escrita?

 

SES: Uma poesia nasce de uma dor ou de um sentimento forte, ou mesmo fraco. Se a descrição deste sentimento toca o leitor, é um poema. Para mim, nasce de momentos de inspiração, geralmente melancólicos.

 

 

GMM: Quais são as suas principais publicações, seja em livro ou na internet, e onde o público pode encontrá-las?

 

SES: Possuo um livro autoral chamado “Flor-essência”, que pode ser encontrado em e-book na Amazon ou físico no site https://loja.umlivro.com.br.

 

Neste livro, eu apresento, separados por ano, os poemas que escrevi dos 11 aos 15 anos. Trata-se de um registro afetivo do início da minha trajetória como escritora.

 

Além disso, tenho muitas poesias publicadas em revistas literárias e antologias coletivas. Para conhecer todas as obras, convido os leitores a seguirem minha página no Instagram: @sofia.poetisa.

 

 

GMM: Qual é o favorito dentre os poemas de sua autoria? Poderia nos mostrá-lo, por favor?

 

SES: Meu poema favorito chama-se "União", que fala sobre algo simples: a observação de gotas que escorrem em uma superfície e eventualmente se separam ou se fundem. Esse poema está em meu livro “Flor-essência” e foi escrito aos 14 anos.

 

 

UNIÃO

 

As gotas caem, se fundem com outras,

criam uma gota-gota grande

que, ao olhar de um espectador distraído,

não passa de uma única gota.

 

Ele despreza as moléculas que foram entrançadas

em uma teia pró-gotas-gotas,

ante gotas a sós.

 

Ignora o selo das pontes de hidrogênio

e o questionamento tolo de uma mente:

seriam as tranças,

as teias,

seus braços? Sua mente?

As gotas-gotas têm dois corações?

Ou a beleza molecular de ligações tão fortes está na

completa união?

Mas, se assim fosse,

um observador distraído me ultrapassa.

 

Em seus olhos rasos,

tempo chulo,

entrelaça os pontos soltos da minha percepção

cortante.

 

Ele entende o resultado,

perdoa o passado pesaroso da solidão,

concede aos átomos uma nova identidade

e me entende, antes que eu o conheça.

 

Conhece-me, antes que eu entenda.

 

Gotas-gotas são duas vidas.

Gotas-gotas são uma alma.

 

 

GMM: Que projetos literários você sonha realizar nos próximos anos?

 

SES: O lançamento de um romance vitoriano, no qual uma mulher dialoga com a morte e, em um momento de irritação, diz que nunca mais quer vê-la. Em resposta, a morte nunca mais volta para buscá-la e, tendo mais de cem anos, essa mulher escreve seu relato como forma de redenção. Citando Luis Fernando Verissimo, “todo o bom desejo é um desejo de morte”.

 

Minha grande inspiração para escrever este livro foi a leitura de “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë.

 

 

Guilherme Mossini Mendel e Sofia Enderle Silva
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 04/02/2026
Alterado em 04/02/2026
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