Não sei vocês, mas eu sou uma pessoa nascida nos anos 1990 que leu Turma da Mônica e Disney, assistiu a desenhos na TV aberta (inclusive aos animes na saudosa Rede Manchete); enfim, tive todo esse aparato maravilhoso de coisas em minhas mãos e olhos (mesmo não sendo a melhor infância, era o que tinha). Mas um desenho me chamava mais a atenção. Ou melhor, uma série de desenhos da Warner. Sim, os Looney Tunes me marcaram demais e eu quero falar um pouco sobre essa relação.
Primeiramente, é difícil, até hoje em dia, uma criança não gostar de ver algo engraçado que desafia as leis da física. Era muito divertido ver o Coiote perdendo todas as batalhas para pegar o Papa-Léguas. O universo sempre jogava contra o coitado. Não havia uma vez sequer em que os produtos da ACME não falhassem. O cosmos o odiava, só pode. Ainda há de se acrescentar como era legal ver o Eufrazino dando tiros para todo lado (sim, era legal um desenho ter tiros e nunca vi maldade nisso), a sagacidade do Pernalonga em tripudiar do Hortelino, a arrogância do Patolino e a Penelope fugindo do Pepe Le Pew. Enfim, uma gama de personagens que até hoje eu paro para ver no YouTube e dar umas risadas.
Acho que um dos ápices da minha relação com os Looney Tunes foi quando meu pai me deu de presente, por um ano, a assinatura dos gibis dos nossos queridos personagens. Era uma alegria quando chegava. Poder ler, ver e rever quantas vezes quisesse (faço isso desde 1999 até hoje). Eram histórias inéditas para ter em mãos sempre que eu tivesse vontade. Isso só aumentou meu apreço e carinho por essa turma que alegrou minhas manhãs.
Mas o ápice, o maior de todos, foi quando assisti em VHS, pela primeira vez, a Space Jam. Lembro que houve uma propaganda forte do filme (também pudera, até o Michael Jordan estava lá) e eu não podia ir ao cinema por questões de falta de verba. Esperei um bom tempo para poder ver. Quando a fita começou a rodar e a música-tema tocou, meu coração se encheu. Eu era uma criança de nove anos, encantada com algo que sempre quis ver. Foi mágico. De lá para cá, já vi mais de 30 vezes o mesmo filme; tenho um DVD para assistir sempre que estiver a fim.
Acho que todo mundo tem algo que marcou muito a infância, e Looney Tunes com certeza marcou demais a minha. Poder ter tido acesso ao mínimo de coisas da turma do Pernalonga me conforta, e sei que eles fizeram a minha infância bem melhor. Ver e rever não é somente se reconectar com o meu eu criança, mas apreciar desenhos e quadrinhos de qualidade e sem o peso do politicamente correto. Desenhos, sim, com uma certa dose de violência cômica, humor ácido e bastante sarcasmo.