Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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Textos

Da complexidade à safadeza, viva a Língua Portuguesa! (AJP) *

 

Ariano Suassuna sempre foi um grande entusiasta da língua portuguesa e um árduo defensor dela. Proferiu diversas palestras enaltecendo nosso idioma, bem como nossa cultura. Era um amor incondicional. E, realmente, nosso idioma é muito rico e, arrisco dizer, lindo demais. Com todas as suas variações, duplos sentidos, gírias regionais e tudo que envolve o português brasileiro (que é bem mais legal que o de Portugal, só pra constar). Nessas próximas linhas, quero falar de uma maneira engraçada da riqueza que as variações linguísticas têm aqui no nosso país. Bora lá?

 

Dá para arriscar dizer que o nosso português é bem "safadinho" e, com uma simples junção entre um verbo, um artigo e um substantivo, já nos faz pensar em sacanagem. Não acredita? Me diga o que você pensa quando ouve um termo mais ou menos assim: "estufar o travesseiro"? Ou então: "apertar o Godinez"? Também podemos pensar algo como: "espancar a parede". Não sei vocês, mas na minha cabeça isso, automaticamente, remete à safadeza. Pode parecer uma simples piada e soar engraçado, mas não sei se algum outro idioma tem algo que é, ao mesmo tempo, engraçado e interessante.

 

Pode ser que a gente seja meio "mente poluída", mas enquanto, em algum idioma de um país aí, você chama copo de "glass" e vidro, também, de "glass" (na boa, isso é de uma pobreza linguística extrema), aqui no Brasil as palavras dançam e brincam com diversos sentidos, a depender de como são escritas. Me perdoe quem tem complexo de vira-lata, mas nosso idioma é maravilhoso.

 

Ainda podemos falar de nossas gírias, que são marcas de uma região, estado ou mesmo de cidades. Até mesmo do jeito que tratamos um pão: o cacetinho (já denunciando onde moro) pode ser pão francês, pão de sal, e por aí vai. Ou os famosos sacolés, que podem ser geladinho, gelinho, etc. Ariano Suassuna estava certo na defesa da língua portuguesa. Não sei se há outra com tamanha riqueza, tamanha irreverência, tamanha malícia. É algo ímpar que — me perdoe o resto do mundo — só o Brasil tem. É exclusivamente nosso e de mais ninguém.

 

 

P.S.: A parte do "glass", eu me dei a liberdade de roubar de uma palestra do Ariano Suassuna. Vi-a durante a pandemia e até hoje essa fala não saiu da minha cabeça. E, sim, mesmo sendo a "língua universal", o inglês é um idioma bem pobre.

Adilson Junior Pilotto
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 29/12/2025
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