Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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Textos

Por que eu tenho pavor de IA na música? (AJP) *

 

A cada dia que passa, a inteligência artificial avança a passos largos em diversos campos do saber: das artes, do entretenimento, do mundo corporativo e em tudo que permeia nossa vida. Confesso que não sou inimigo da IA; eu mesmo a uso para algumas coisas (como corrigir textos, pedir alguma informação ou dica de site para pesquisar). Mas, em certos casos, me torno um grande rival de coisas que não são produzidas pelo cérebro e mãos humanas. A música, certamente, é uma delas. Música é sentimento humano, e robô nenhum tem o direito de fazer isso.

 

Assim, meus nobres amigos, posso dizer de consciência tranquila que detesto música feita por IA (e, sim, dá para notar). É algo sem vida, sem criatividade, sem calor humano. Música expressa sentimentos, frustrações, críticas, leituras de mundo; coisas que um robô não tem e nunca terá. No campo das artes, nada substitui o ser humano. Arte é expressão, é ideia, é pesquisa, é estudo. Não tem nada de mecânico. Quando a arte é mecanizada, ela perde o poder artístico e a capacidade de interpretar o universo ao seu redor.

 

Também temos que falar do feeling, que é o artista colocando a alma e toda a sua vivência, realidade e visão de mundo naquilo que elabora. Faço aqui um manifesto em prol dos sentimentos. Me digam: qual a graça de ouvir algo criado por um robô? Algo sem a história de uma pessoa (pessoa essa que imprime sua trajetória num álbum), sem amor e sem um pingo de criatividade. Entendo que muita gente goste apenas de erguer um copo, rebolar e ficar doidona durante toda a noite de sexta. Mas aqui temos um ponto: esse tipo de música não é para quem gosta de ouvir um som interessante, é só para quem gosta de beber e rebolar a bunda, nada mais.

 

E vou abrir um parêntese aqui: falo até de música composta por IA (ou vocês acham que essas músicas genéricas de TikTok não têm muita coisa composta pelos ChatGPTs da vida?). Ouço meu som de gente que eu sei que escreve, para, pensa e tem todo um processo criativo para entregar o melhor álbum, EP ou single possível. Me nego a ouvir música concebida para quem não gosta de música. Sempre fui amante do bom som e, quem quiser beber e rebolar, que o faça, só não diga que gosta de ouvir música.

 

Música é algo demasiadamente humano, assim como pintura, literatura e muito mais. Não podemos transformar sentimentos humanos em palavras escritas por um robô. Se quiserem usar IA para alguma pesquisa, corrigir algum texto e para melhorar alguns pontos de trabalhos, façam. Mas, quando forem fazer arte, usem a criatividade, usem o cérebro. Tenham bom senso. Música é para quem gosta e sabe ouvir. Rebolar e beber pode ser feito até em silêncio.

Adilson Junior Pilotto
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 29/12/2025
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