Poeta Guilherme Mossini Mendel
"Quem escala montanhas se fortalece. Quem procura atalhos acaba se perdendo."
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Textos

Mamonas Assassinas: Crítica e Poesia! (AJP) *

 

“Se der uma chuva de Xuxa

 No meu colo cai Pelé”

 

Hoje à tarde, conversando com meus primos Vinícius e Gisele, saiu o papo de ser azarado e este trecho de uma música dos Mamonas Assassinas, de como ela é poética (de forma humorística, mas poética). É um manifesto sobre um ser humano extremamente azarado, em cuja vida nada dá certo. Para quem não lembra, em tempos passados, a Rainha dos Baixinhos namorou o Rei do Futebol. E agora imagine você, homem, com uma chuva de Xuxa no auge da beleza, cair logo o Pelé no seu colo. Não é algo que podemos considerar sorte. Pelo menos eu, apesar de fã do nosso querido Rei, preferia ter a nossa gaúcha de Santa Rosa em meus braços.

 

“Abra sua mente

 Gay também é gente

 Baiano fala oxente

 E come vatapá”

 

Sempre de uma forma que considero poética, os Mamonas levantavam a questão, antes mesmo de estar na boca do povo, de que todas as pessoas têm seus direitos e devem ser vistas como humanas. Como já falei em outro texto, "Robocop Gay" é uma obra-prima que deve ser ouvida com atenção não só pelo humor ou pelo manifesto à igualdade, mas também pela estrutura musical sensacional e pelas sacadas geniais que a banda trouxe.

 

“Te falei que o pediatra é o doutor responsável pela saúde do pé

 O Zóista cuida dos óio

 E os oculista, Deus me livre, nunca vão mexer no meu.”

 

Este trecho de "Uma Arlinda Mulher" é fantástico. Um jogo de palavras sensacional, com um humor simples, porém muito engraçado. Estamos acostumados a ver como poéticas letras que falam de amor, motivação, religião, mas o humor também tem seus tons poéticos e pode ser visto nessas sacadas geniais, com trocadilhos de nomes de profissões ou de como dizer que pessoas são azaradas.

 

Outro trocadilho clássico é com a língua inglesa: “Money, que é good e nós não have / Se nós ‘hevasse’ nós não tava aqui workando”. Um jeito engraçado de dizer que quem precisa de dinheiro tem de trabalhar. Uma maneira suave de nos lembrar que todos somos trabalhadores e precisamos do labor para sustentar nossas vidas e nossas famílias. Uma forma divertida de dizer que quem precisa de dinheiro acorda cedo e vai para a labuta diária.

 

Por isso, para além dos shows cômicos e das roupas engraçadas, os Mamonas, de alguma forma, faziam poesia e crítica social sem perder a irreverência e a originalidade. Hoje, fico feliz de ver crianças de 11 anos, depois de terem assistido a eles na Netflix, começarem a se interessar por algo que foi uma explosão de sucesso nos anos 1990 e que permanece vivo na memória de quem viu e até de quem nasceu somente décadas depois.

Adilson Junior Pilotto
Enviado por Guilherme Mossini Mendel em 30/11/2025
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