Meus amigos, eu confesso a todos vocês que, já nos meus sessenta anos (que isso fique somente entre nós), pensava comigo mesmo: "vou escapar de ter que visitar a sala de cirurgia (aquelas luzes são muito fortes, nem deixam a gente usar óculos escuro)". Eu já vi e visitei familiares e amigos que fizeram procedimento cirúrgico, e lhes digo, com toda honestidade, que não fiquei impressionado positivamente com as queixas de dores e desconfortos causados pela cirurgia.
Mas, como o destino é tão bonzinho e nos proporciona tantas oportunidades de aprendizado, e nem cobra mensalidade, fui acometido de uma forte gripe que evoluiu para uma bela pneumonia, com uma tosse que se apegou a mim, como se tivéssemos nos conhecido na maternidade.
Passei mais de mês com a tosse amiga, realizando tratamento com antibiótico e bombinha. Fui aos poucos melhorando; porém, devido à intensidade da tosse, fui presenteado com duas hérnias inguinais. Prorroguei o máximo que pude a cirurgia, não sendo medroso, mas a gente fica com uma sensação de ansiedade ao saber que teremos que passar por esse processo. Aquela sala assusta mais que a da direção da escola, ou do delegado.
Enfim, não suportando mais as dores, marquei a cirurgia. Avaliações feitas, tudo estava certo.
Chegado o dia da cirurgia, lá estava eu. Cheguei duas horas antes, junto com minha esposa, que me acompanhava para garantir que não mudasse de ideia, devido às experiências com visitas a amigos e familiares que fizeram estes procedimentos, como já referi anteriormente.
Chegada a hora, fui levado à sala, que até que não era tão assustadora. Após deitar na mesa, conversa vai, conversa vem, fui... Acordei perto do meio-dia, mais perdido que político honesto em Brasília e, após ser cuidado pelas enfermeiras na sala de recuperação, fui para o quarto. Agora estou em casa, na fase de repouso.
É interessante como essas situações inusitadas mudam a nossa rotina, fazendo-nos refletir sobre como somos frágeis. Pensar que tenho um filho e esposa, enfim, toda a família... a linha é muito tênue. Ainda bem que algumas peças nossas tem conserto. Espero não ter sido chato. A gente fica assustado, sim! Deu tudo certo. Vamos em frente.
(Ivan Paulo Nadaletti — 11/11/2025)