Nesse turbilhão de ideologias que vivemos hoje em nosso país, o que mais precisamos são de “pacificadores”. Infelizmente, os poucos que estão conosco acabam nos deixando — neste caso, pela avançada idade e saúde fragilizada.
Ficamos órfãos desses mediadores que, por meio de suas crônicas — sejam elas elogiosas a situações diversas ou ácidas e críticas à política, ao futebol ou ao momento social do país — promoviam reflexões e acalmavam os ânimos mais acirrados.
Suas palavras mediavam conflitos, despertavam análises mais profundas nos leitores, que transformavam essas reflexões em opiniões. A cada dia, esses leitores assíduos ansiavam por mais uma crônica que alimentasse os debates nas rodas de prosa ou nas mais diversas situações.
Cria-se um vazio difícil de preencher. Procuramos a informação, mas a fonte já não está mais aqui. Não conseguimos expressar plenamente o sentimento de perda neste momento. Talvez, mais adiante, consigamos apenas ter uma vaga noção do que perdemos. A cultura, tão cambaleante e menosprezada nos últimos anos, vai perdendo os alicerces que ainda a mantêm de pé.
Obrigado, Verissimo!
Ivan Paulo Nadaletti
(14/09/2025)