O título é, sem dúvida, um lamento ao abandono do livro que, sim, foi trocado pelo e-book, pelo celular e pelo computador. Estes o sentenciaram ao cárcere da prateleira, às vezes tão empoeirada, fria e abandonada.
Pobre livro! Nas escolas, quando retirado, nas mãos do aluno, serve como arma para bater no colega; chacoalhado, sempre é lançado ao chão, pisoteado; na mochila é guardado, para, uma semana depois, ser lembrado somente para a troca.
Pobre livro, maltratado, cheio de orelhas, dobras e rasgos, amassado — mas não contra o peito para ser amado, e sim torturado por mãos que deveriam lhe fazer um afago.
Pergunto, então: por que ser tão desprezado?
Pobre livro, portador de conhecimentos inigualáveis, mesmo assim, por um joguinho de videogame é trocado.
Pobre livro, talvez os poucos que ainda se lembram de ti, que te apertam contra o peito com amor e gratidão, sejam hoje em dia considerados “párias”, o que me faz pensar.
Pobre livro, o conhecimento que trazes em tuas páginas — fonte de libertação da humanidade, luz que ilumina nosso caminho —, nestes tempos de trevas culturais, é visto como um veneno para os seres humanos.
Pobre livro, peço-te que me perdoes e não me abandones. Preciso do néctar do conhecimento que escorre das tuas páginas.
Pobre livro, o que fazes nesta prateleira?
(Ivan Paulo Nadaletti, madrugada de 16/08/2025.)