- Título: “Pronta para amar”
- Título original: “A little bit of heaven”
- Diretora: Nicole Kassell
- Produtores: John Davis, Adam Schroeder, Mark Gill e Robert Katz
- Roteirista: Gren Wells
- Ano de lançamento: 2011
- Duração: 106 minutos
Este filme me levou da completa indiferença a uma montanha-russa de emoções! Logo nos primeiros minutos, precisei de muita disciplina para continuar a assisti-lo, pois parecia-me apenas mais uma comédia romântica vulgar. Depois, à medida que a comédia e a banalidade foram cedendo lugar ao drama e ao romance, o meu envolvimento com “Pronta para amar” mudou bastante.
Marley, interpretada de forma emocionante por Kate Hudson, é uma solteira bem resolvida que não leva nada muito a sério. Ela conta com a parceria de um amigo gay e de duas amigas — uma com marido e filhos e outra também solteira. Por outro lado, possui uma mãe superprotetora e sufocante (Kathy Bates, para a minha alegria), e um pai focado em dinheiro e pouco emotivo (papel do saudoso Treat Williams).
Tudo andava tranquilo até a consulta com o Dr. Julian Goldstein (Gael García Bernal, em atuação surpreendente), quando Marley descobre um câncer de cólon em estágio avançado. Inicialmente, ela encara o tratamento com otimismo, mantendo-se alegre diante de amigos e família. Nesse momento, pensamos que um milagre acontecerá e a protagonista ficará curada, como ocorre em tantas produções do gênero.
Contudo, as terapias adotadas não evoluem bem e, ao mesmo tempo, o relacionamento de Marley com Julian avança algumas etapas. Surge, assim, um romance repleto de emoções variadas: a moça encontra alguém que vale a pena; porém, corre o risco de não sobreviver para viver esse amor.
O longa-metragem tem seus deslizes — cenas ocasionalmente desnecessárias e apelativas —, mas a forma sensível e realista com que aborda um assunto tão grave como uma doença terminal, abarcando os efeitos que essa situação traz para as pessoas com as quais se convive, independentemente do momento da vida em que elas estão, faz com que esse título adquira um valor inestimável. Confesso, inclusive, que cheguei às lágrimas em diversas cenas, tanto por conta das atuações convincentes dos maravilhosos atores escalados para esse filme, quanto por razões ligadas ao desenrolar da narrativa.
Portanto, caso você busque uma comédia romântica leve e descompromissada, “Pronta para amar” não é a escolha ideal. Entretanto, se deseja ter uma experiência inesquecível, que irá tocar a sua alma e estimular reflexões sobre temas difíceis — mas inevitáveis —, essa é uma opção plenamente recomendada.